A falência da democracia

Estamos situados num tempo em que a política passa por momentos de enorme reflexão. Pois não temos mais a certeza de que nossas ações possam fornecer algum resultado para o que nos aflige. Talvez o problema seria essa espera massiva pelo resultado, o que resultaria num campo técnico em que transformaria nossos setores como meios para alguma benécie. Com isso, somos cada vez mais motivados a perguntar pelo processo democrático em que estamos inseridos. Para isso, primeiro, temos de voltar a origem do termo e como ele foi usado para a política contemporânea.

o Sofista na democracia grega.

Sabemos que a etimologia da palavra democracia é demo=povo + cracia=poder, sendo a Grécia antigo o lugar de onde surgiu como forma política para decisão das necessidade sociais. Reunidos na Ágora os cidadãos decidiam sobre os rumos da cidade, entretanto, há de destacar quem eram esses cidadãos. Eram homens, no sentido do gênero, não escravos, adultos e com a sanidade aprovada por todos, e diante dessas características já são cortadas quase 2/3 da população grega. Assim, facilmente deparamos com estudos questionando a existência real de uma democracia na Grécia antiga. A invalidade desse questionamento parte do fato de que se crê em estarmos ao alcance da democracia real em que se poderia afirmar a existência, ou não, num determinado tempo e espaço. Aqui começa o problema, porque ao fim, até hoje não sabemos na prática o que vem a se dá uma democracia, quais os seus avanços. O máximo que temos é a partir da via negativa, denunciando sistemas totalitários, com o poder centrado em uma pessoa. Mas pior do que o poder está centrado numa pessoa é ele encontrar-se numa segmento institucional  ou numa rede compartilhada por várias instituições, pois esse centramento facilmente ama se esconder. Porém, vamos rapidamente retornar a proveniência do ideal democrático que convive entre nós.

Como medir a maioria? Por números?

Voltemos a revolução francesa com o lema: liberdade, igualdade e fraternidade. Por meio dessa tríade formulou o preceito de democracia que nortearia o ocidente, mais explicitamente a divisão partidária formada pós revolução que entre jacobinos e girondinos se deu a concepção de esquerda e de direita. Além do que na divisão  elaborada por Montesquieu na obra O Espírito das Leis entre judiciário, executivo e legislativo. Partindo dessa considerações, a democracia brasileira sancionada em 1984 pós-ditadura militar moldou-se no modelo representativa presente em países como os  Estados Unidos. Porém, desde esse início muito questionou-se sobre o alcance do modelo democrático em que se elege representante que seriam o porta voz das necessidades populacionais. O problema é que essa representação, apesar de aparentar uma melhor qualidade se compararmos com o início do século XX, agora notamos que a multiplicidade que tenta representar os segmentos presentes numa sociedade mostra-se como insuficiente, porque, ao fim, a maioria dos partidos caminham mais para o enrijecimento dos interesses privados dos seu sectários e utiliza de um discurso vazio de conteúdo (a generalidade aqui é apenas para uso sintético) para aparentar um direcionamento do interesse da maioria. Entretanto, que maioria é essa? Qual o parâmetro de julgamento de maioria? Isso permanece apenas no estudo quantitativo e não qualitativo, o que diga-se de passagem é pouco para julgar que ali se trata de uma real  maioria.

Tempo novo, problemas velhos. Dilema insolúvel?

Pensemos no agora, como o sistema político tenta desenvolver-se. Recentemente percebemos uma tentativa de afastar o partido político dos preconceitos calcados na sociedade para com os mesmos através da ausência de  um centramento partidários. O PSOL em que cada setor estadual tem a autonomia para poder usar de manobras políticas que alimentem o interesse populacional e desse modo enfoca na pluralidade diante de uma unicidade. O DEM que usa da palavra Democratas para remeter a uma imagem que visa a uma democracia que procura sanar os interesses da população e, entretanto, mascara a mesma política desgastada que se preocupa somente pelo  interesse do mercado. E por último temos A REDE que não é de direita e nem de esquerda, mas tecnicista (palavra minha). Quanto A REDE uma reflexão: é um partido (sic) que publiciza ferramentas virtuais para dizer-se renovada e em sintonia com as mudanças presentes nossos dias, mas na verdade ainda mantém próxima ao interesse liberal, porque no cerne do discurso há uma tentativa de não acusar nem defender ninguém que, no fundo, só ajuda a elite que tem o domínio eleitoral. Assim, assuntos mais “polêmicos”, porém necessários para o desenvolvimento socio-cultural do país é relegado a um jogo de plebiscita, em que dá a “maioria” de decidir os interesses de uma “minoria”. Com isso, permanecemos como o mundo tal e qual sem mudanças significativas. E diante dessas diferentes diretizes não se percebe que o problema não está no uso ou não da democracia, mas como ela é pensada, institucionalizada, por meio de representações.

Portanto, nesse pensamento podemos dizer que a falência da democracia se dá muito mais porque não possui mais representatividade e enquanto permanecermos num sistema representativo ainda situaremos com questões usuais que tem como respostas palavras antigas.

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