A falência da democracia

Estamos situados num tempo em que a política passa por momentos de enorme reflexão. Pois não temos mais a certeza de que nossas ações possam fornecer algum resultado para o que nos aflige. Talvez o problema seria essa espera massiva pelo resultado, o que resultaria num campo técnico em que transformaria nossos setores como meios para alguma benécie. Com isso, somos cada vez mais motivados a perguntar pelo processo democrático em que estamos inseridos. Para isso, primeiro, temos de voltar a origem do termo e como ele foi usado para a política contemporânea.

o Sofista na democracia grega.

Sabemos que a etimologia da palavra democracia é demo=povo + cracia=poder, sendo a Grécia antigo o lugar de onde surgiu como forma política para decisão das necessidade sociais. Reunidos na Ágora os cidadãos decidiam sobre os rumos da cidade, entretanto, há de destacar quem eram esses cidadãos. Eram homens, no sentido do gênero, não escravos, adultos e com a sanidade aprovada por todos, e diante dessas características já são cortadas quase 2/3 da população grega. Assim, facilmente deparamos com estudos questionando a existência real de uma democracia na Grécia antiga. A invalidade desse questionamento parte do fato de que se crê em estarmos ao alcance da democracia real em que se poderia afirmar a existência, ou não, num determinado tempo e espaço. Aqui começa o problema, porque ao fim, até hoje não sabemos na prática o que vem a se dá uma democracia, quais os seus avanços. O máximo que temos é a partir da via negativa, denunciando sistemas totalitários, com o poder centrado em uma pessoa. Mas pior do que o poder está centrado numa pessoa é ele encontrar-se numa segmento institucional  ou numa rede compartilhada por várias instituições, pois esse centramento facilmente ama se esconder. Porém, vamos rapidamente retornar a proveniência do ideal democrático que convive entre nós. Continue lendo

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Sorriso, um mero detalhe.

Noites frias são comuns nas nossas vidas, não adianta praguejar pelo destino. Ele está em algum lugar distante a todas reclamações, desse modo pergunto: porque se importar se algo poderia ser ou não diferente? As coisas que já foram não podem mais ser repetidas, as palavras vazias tentadas ao relento são a única expressão que você pode tentar entrever no limiar das diferentes opiniões. Todos nós procuramos ser compreendidos, mas para quê? Se tão rapidamente seremos julgados como errados? Não adianta querer fazer tudo correto, você irá errar! Isso é inevitável. Então o que nos resta? Já não mais nada do que caminhar e por mais que fuja dos rótulos terá algum momento que você será taxado por alguém. Esse alguém pode não ser importante naquele instante da sua vida, mas será importante para o restante do caminho, já que aquele rótulo te perseguirá e por mais que venha negar as características que o compõe te perseguirá e fatalmente dará razão ao teu rótulo.

Entretanto, não se engane que não se tem mais saída, que tudo está consumado e que o vermelho se tornou a única cor, a cor do pavilhão que sua pessoa caminha inconsciente para a última súplica de arrependimento. Não há espaço para arrependimento, seja íntegro com você mesmo. Dizer que os outros não te trataram bem não importa para os ouvidos já delineados pelos comportamentos impostos pela tradição, o que lhe resta é viver. Vida que não pode ser simplificada em mero valores ou pela busca de uma razão maior do que lhe aparenta. Pois a aparência reina quando estamos buscando por essências, porque essas não são possíveis a nós… Para o fim de tudo isso, deixe o sorriso penetrar na sua personalidade, não feche a boca para as dificuldades, pois por mais que fique rodeado de amigos no momento mais especial para você, estará só e com isso terá de lidar com as intempéries consigo mesmo, o seu grande inimigo. Porém ao fim de tudo notará que o sorriso é um mero detalhe, mas te fortifica para enfrentar os fantasmas que você mesmo criou.

A Febre do Rato – o descontrole da vida.

Cláudio Assis traz uma subversão à tela de cinema com seus filmes que procuram ir ao fundo na personalidade humana, que afogada pelas tensões cotidianas mergulham num comodismo sem fim. Além do que fecha com toda a possibilidade de ser algo além da aparência, na verdade o homem se esquece sendo animal e não permite que seus instintos produzam algo além do que está controlado. Desse modo, Cláudio Assis traz com seus personagens esse lado desenfreado, puro corpo e instinto, como ele define no seu filme Amarelo Manga: o homem é estômago e sexo. Justamente essa definição perdura nos próximos filmes e com olhar anarquista procura trazer ao espectador um sentimento de ver o sujo, o lodo, não para que nos afastemos, e sim adentrar nessa situação e promover uma comemoração contínuo desse lado marginal. Com isso, A Febre do Rato é uma película que nos fornece uma outro modo de viver a vida, uma estética de existência. Qual é a história desse filme?

Trata de apresentar a vida de um poeta maldito recifense, Zizo, o qual através do seu jornal A Febre do Rato procura fornecer a população poesias que remetem ao sentimento caótico, subversivo, da vida. Afastando de toda moralidade instituída pela sociedade, apresenta um outro lado do viver. Soltos, livres, amantes. Executa com seus amigos, as desavenças, os conflitos de ser quem é. Contudo mesmo através da forma livre de viver, não indica que o outro se torna um objeto, jamais, ele é alguém pelo qual compartilha todas as intempéries, os desejos, e a conquista ainda tá lá presente, mesmo que isso indique o sofrimento. Porém é tudo desaparecido pelo sorriso, pela alegria, sem prestar atenção se veio a ser um ridículo, já que o ridículo está na visão presente da moralidade. Nesse caminho, Zizo conhece Eneida, menina linda que foge das palavras do poeta, porém essa fuga é uma volta, um encontro, um embate que perdura até o limiar do desparecimento da personalidade. Perto do final do filme ocorre uma cena emblemática que figura no proposito final que o Cláudio Assis que apresentar, em meio ao 7 de setembro, o grupo seguido pelo poeta começa reclamar pelo direito de errar. Maneira simples de subverter as ordens, porque na verdade estamos presos no sucesso, na vitória que esquecemos sobre o erro, que bem ou mal nos forma, nos consolida e transforma continuamente.

Claro que podemos ver alguns erros, na minha opinião ingenuidade em certos momentos, porque aquele recife é o do Cláudio Assis (ainda bem que existe esse Recife), a lascividade não é tão aberta e aceita, tanto mais se fosse com certeza o Cláudio não teria feito os seus filmes. Porém, o mais importante é a oferta que essa película fornece a nós, não que executaremos tudo que o filme nos propõe, apenas pelo fato de apresentar que há outra via, diferente da que nos ensinaram e levamos no nosso dia a dia. Assim, assistir A Febre do Rato antes de tudo é abrir a mente para outras possibilidades de viver, não que sejam utópicas, mas somente o saber que há essa possibilidade nos fornece uma subversão e uma inversão de tudo aquilo que tentaram introjetar na nossa formação do caráter. Com isso proclamo junto com o poeta Zizo: Anarquia e Sexo, pelo direito de errar!

O locus do foi

O tempo do agora se perfaz na ânsia daquilo que já foi. Esse foi se orienta como reino de nossa lembrança, já que a lembrança é um momento que nos provoca a pensar o que podemos ser diante da morbidez do ocorrido. Nesse caminho, pensamos sobre o ser, o qual não se reduz a uma palavra vazia, nem ao local onde perdura nossas possibilidades. Mas, ali, entre muros, nos projetando para o que estamos sendo diante do que já fomos. Sendo, somos alguma coisa que escapa do nada que podemos vir a ser, visto que a única coisa que sabemos concerne aquilo que já passamos. Diante desse passado, mesmo com atos estúpidos, caracteriza-nos como aquilo que somos, repletos de olhar para o futuro incerto da nossa pobreza de sentimentos.